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23/07/2003
Segundo dia da Mostra de Dança Contemporânea

No segundo dia de apresentações, a 3ª Mostra de Dança Contemporânea traz ao palco do Teatro Juarez Machado o Grupo de Dança Desvio e a Quasar Cia. de Dança, ambos de Goiânia.

O recém-criado Grupo de Dança Desvio, nascido da matriz Quasar, surge com a proposta de provocar a circulação de idéias, utilizando diferentes veículos para levar a audiência a refletir acerca de questões contemporâneas, sem necessariamente oferecer apenas entretenimento. Sob a direção artística de Henrique Rodovalho, seis bailarinos integram um elenco que se autodefine assim: "O Desvio é um percurso artístico que usa linguagens diversas para investigar espaços e se apropriar deles, abordando temáticas cotidianas de nosso tempo".

O espetáculo - também denominado "Desvio" - propõe um jogo lúdico por meio da expressão corporal, no qual os bailarinos, além do corpo, utilizam a palavra. A trilha sonora inclui músicas instrumentais percussivas e canções de Caetano Veloso e Elza Soares. Os artistas interpretam personagens em coreografias que inventaram, com liberdade e autonomia, em processo de criação coletiva. A elaboração envolve a pesquisa de possibilidades cênicas de cada detalhe arquitetônico - portas, janelas, iluminação direta e arquibancada.

O coreógrafo Henrique Rodovalho explica que a proposta do Desvio é abrir vias de comunicação não-convencionais, que "estimulem atitudes e ações sociais". O símbolo escolhido para representar o grupo é um carrinho de plástico colorido. A imagem sintetiza visualmente o que o grupo pretende exprimir, por intermédio da dança: a alegria, a emoção de encontrar o movimento preciso, no aqui e agora. Sem caminhos predeterminados, Desvio transita no circuito lúdico da criatividade, onde corpo e emoção representam a vida. O caminho da arte com todas as possibilidades.

A Quasar Cia. Dança, de Goiânia, é a segunda companhia a se apresentar no dia 24 de julho (quinta-feira), na segunda noite da Mostra de Dança Contemporânea, com o espetáculo "Mulheres", de Henrique Rodovalho. O espetáculo conta a história de três mulheres que, enquanto procuram manter a individualidade diante da convivência, se vêem envolvidas em diferentes emoções. Mas esses sentimentos são reticentes e desdobram-se em atos sugestivos, capazes de incitar a dúvida acerca da natureza dos relacionamentos. O público é convidado a perceber peculiaridades do universo feminino, observando conflitos de um plano externo, de forma privilegiada. A peça ganha densidade à medida que os diálogos entre mulheres se alternam em diferentes combinações; no entanto, a narrativa permanece aberta e oferecendo possibilidades múltiplas de interpretação até o fim. O espetáculo tem duração de nove minutos e conta com a participação de oito bailarinos.

A Quasar é um veículo de manifestação artística. Desenvolvendo uma proposta estética de muitas faces, a companhia vem colaborando para que platéias do Brasil e do mundo reflitam sobre a contemporaneidade como uma linguagem global. Entre os primeiros pensamentos durante o período de criação da companhia sempre estiveram presentes o desejo de liberdade, diante das regras acadêmicas, e a necessidade de não se fixarem modelos. Tal postura possibilitou que a Quasar trilhasse uma interessante trajetória, esquivando-se das relações puramente estéticas da dança parra aprofundar-se em questionamentos pertinentes à realidade social.

 

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