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| Cia. de Dança
Lina Penteado |
A Mostra de Dança Contemporânea,
evento não-competitivo realizado desde 2001, ganha
destaque no Festival de Dança de Joinville, pela aceitação
do público e da crítica. A terceira edição
do evento será realizada de 23 a 25 de julho, no Teatro
Juarez Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, que tem
capacidade para 500 pessoas. Para efeito de inscrição
e participação na 3ª Mostra de Dança
Contemporânea, os grupos deverão se submeter
à seleção prévia, a ser realizada
em maio de 2003, pelos integrantes do Conselho Consultivo
do Instituto Festival de Dança.
A mostra é um espaço destinado
a grupos e bailarinos profissionais que trabalham com produção
em dança, utilizando novas linguagens, técnicas
mistas e propostas cênicas experimentais, sem condicionamentos
estéticos. Os principais objetivos da mostra são
valorizar as iniciativas de investigação e promover
a formação de platéia, apresentando novas
tendências e temáticas da dança contemporânea
aos estudantes de dança que participam do Festival.
As apresentações em palco e horário alternativos
visam possibilitar uma linguagem mais intimista, aproximando
público e artistas.
Confira os grupos que vão dançar
na 3ª Mostra de Dança Contemporânea de 2003
Dia: 23/07 - Companhia
Vacilou Dançou abre Mostra de Dança Contemporânea
Os espetáculos "Grito" e
"Olho por Olho", da Companhia Vacilou Dançou,
abrirão, no dia 23 de julho (quarta-feira), a 3ª
Mostra de Dança Contemporânea do 21º Festival
de Dança de Joinville. A companhia é do Rio
de Janeiro e as coreografias dos dois espetáculos são
de Carlota Portella e Mário Nascimento, respectivamente.
Com grande aceitação do público
e da crítica, a coreografia "Grito", com
duração de 20 minutos, será apresentada
por seis bailarinos. O espetáculo pode ser traduzido
como um feliz amálgama de diversas tendências,
unificada num trabalho bastante pessoal, criativo e com extenso
vocabulário. A coreografia é apresentada em
quatro movimentos que se encontram entre os diversos personagens
das 17 peças de Nelson Rodrigues: o desfecho trágico,
o amor de duas mulheres pelo mesmo homem, a frustração
feminina e uma mórbida solidão.
A coreografia "Olho por Olho" será
apresentada por seis bailarinos e tem duração
de 22 minutos. O espetáculo enfoca o jogo da vida,
do equilíbrio, da imposição, do submisso,
do dominador e da fraqueza com aquele que se usa freqüentemente
da insegurança como meio de defesa. Mário Nascimento
utiliza como linguagem metafórica para discussão
o tema "enfrentar também é um jogo, quando
você perde você ganha e quando você ganha
você perde".
Dia 24/07 - Grupo de dança
Desvio se apresenta dia 24 de julho na Mostra de Dança
Contemporânea
O
recém-criado grupo de dança Desvio surge com
a proposta de provocar a circulação de idéias,
utilizando diferentes veículos para levar a audiência
a refletir acerca de questões contemporâneas,
sem necessariamente oferecer apenas entretenimento.
Sob a direção artística
de Henrique Rodovalho, seis bailarinos integram um elenco
que se auto-define assim: "O Desvio é um percurso
artístico que usa linguagens diversas para investigar
espaços e se apropriar deles, abordando temáticas
cotidianas de nosso tempo".
O espetáculo - também denominado
Desvio - propõe um jogo lúdico por meio da expressão
corporal, no qual os bailarinos, além do corpo, utilizam
a palavra. A trilha sonora inclui músicas instrumentais
percussivas e canções de Caetano Veloso e Elza
Soares. Os artistas interpretam personagens em coreografias
que inventaram, com liberdade e autonomia, em processo de
criação coletiva. A elaboração
envolve a pesquisa de possibilidades cênicas de cada
detalhe arquitetônico - portas, janelas, iluminação
direta e arquibancada.
O coreógrafo Henrique Rodovalho explica
que a proposta da Desvio é abrir vias de comunicação
não-convencionais que "estimulem atitudes e ações
sociais". O símbolo escolhido para representar
a Desvio é um carrinho de plástico colorido.
A imagem sintetiza visualmente o que o grupo pretende exprimir,
por intermédio da dança: a alegria, a emoção
de encontrar o movimento preciso, no aqui e agora. Sem caminhos
predeterminados, Desvio transita no circuito lúdico
da criatividade, onde corpo e emoção representam
a vida. O caminho da arte com todas as possibilidades.
Dia
24/07 - Quasar Cia. de Dança
de Goiânia apresenta espetáculo Mulheres
A Quasar Cia. Dança de Goiânia
se apresenta dia 24 de julho (quinta-feira), na segunda noite
da Mostra de Dança Contemporânea, com o espetáculo
Mulheres, de Henrique Rodovalho.
O espetáculo conta a história
de três mulheres que, enquanto procuram manter a individualidade
diante da convivência, se vêm envolvidas em diferentes
emoções. Mas esses sentimentos são reticentes
e desdobram-se em atos sugestivos, capazes de incitar a dúvida
acerca da natureza dos relacionamentos. O público é
convidado a perceber peculiaridades do universo feminino,
observando conflitos de um plano externo, de forma privilegiada.
A peça ganha densidade à medida que os diálogos
entre mulheres se alternam em diferentes combinações,
no entanto, a narrativa permanece aberta e oferecendo possibilidades
múltiplas de interpretação até
o fim. O espetáculo tem duração de nove
minutos e conta a participação de oito bailarinos.
A
Quasar é um veículo de manifestação
artística. Desenvolvendo uma proposta estética
de muitas faces, a companhia vem colaborando para que platéias
do Brasil e do mundo reflitam sobre a contemporaneidade como
uma linguagem global. Entre os primeiros pensamentos durante
o período de criação da companhia, sempre
estiveram presentes o desejo de liberdade, diante das regras
acadêmicas, e a necessidade de não se fixarem
modelos.
Tal postura possibilitou que a Quasar trilhasse
uma interessante trajetória, esquivando-se das relações
puramente estéticas da dança parra aprofundar-se
em questionamentos pertinentes à realidade social.
Dia 25/07 - Pensamento
e Movimento se confrontam no último dia da Mostra de
Dança Contemporânea
Dentre os vários estilos reunidos na
Dança de Rua, o break dancing foi escolhido pelo coreógrafo
Bruno Beltrão, do Grupo de Rua de Niterói (GRN),
para elaborar a coreografia "Eu e Meu Coreógrafo
no 63". A partir de uma conversa de fim de noite num
hotel, Bruno propôs ao bailarino Eduardo Hermanson uma
experiência que pudesse traduzir o confronto entre o
corpo e a mente.
Fones
de ouvidos ligam os espectadores à mente do bailarino,
com suas experiências que vão da comédia
à angústia, extraídas da conversa no
hotel. As reflexões do jovem ganham equivalência
na sua linguagem da dança de rua. O que se ouve e o
que se vê são pensamentos e movimentos partidos,
equivalentes e conflitantes. "Isso possibilita o confronto
entre o pensamento do bailarino com sua linguagem corporal.
É a confusão mental do bailarino traduzido na
dança", avalia o coreógrafo.
A coreografia "Eu e Meu Coreógrafo
no 63", cria para o espectador uma experiência
quase telepática de comunicação entre
as construções mentais de um jovem e a movimentação
do intérprete, em simultaneidade. A peça foi
citada por diversos críticos como uma lufada de ar
fresco nas hibridações do break com o contemporâneo
que nasce de uma idéia simples e se realiza na execução
primorosa de Eduardo Hermanson.
De maneira geral, o trabalho que será
apresentado na Mostra de Dança Contemporânea
aponta as ricas possibilidades de como diferentes linguagens
podem ser incorporadas ao vasto vocabulário contemporâneo,
criando assim novos contornos para os corpos em movimento.
Dia 25/07 - Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul
participa na última noite da Mostra de Dança
Contemporânea
A Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul é
a última companhia a se apresentar na Mostra de Dança
Contemporânea, dia 25 de julho (sexta-feira). Com o
espetáculo Antologia, coreografado por Ney Moraes,
o grupo pretende encerrar o evento com chave de ouro. O espetáculo
"Antologia" busca o entendimento da idéia
de percurso, onde passado, presente e futuro integram um mesmo
fluxo.
As três instâncias estão profundamente
ligadas e os lugares por elas ocupados nessa cadeia temporal
devem ser compreendidos como móveis e flutuantes. Nessa
perspectiva, "Antologia" propõe expor igualmente
o significado de todo e de vazio.
A composição da trilha sonora,
elaborada através do entrelaçamento de trechos
musicados e espaços de silêncio, busca acentuar
a significação. Propondo o desenvolvimento de
uma linguagem contemporânea, o coreógrafo procura
encontrar a movimentação desejada para sua obra
através de um diálogo com seu próprio
corpo, deixando fluir caminhos que apontem para a naturalidade.
A Cia. Municipal de Dança e Caxias
do Sul foi fundada em 1998, sendo a única companhia
oficial do Rio Grande do Sul. Sem um coreógrafo residente
o grupo vem experimentando linguagens diversas por meio de
trabalho com coreografias nacionais e internacionais com o
objetivo de alargar o vocabulário da dança contemporânea.
Com isso, o elenco da companhia vem produzindo um repertório
diverso e aberto para novas propostas.
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