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Lançada com grande aceitação do público e da crítica em 2001, a Mostra de Dança Contemporânea, evento não-competitivo, volta este ano com força total, ganhando mais destaque no Festival de Dança de Joinville. O evento será realizado de 23 a 26 de julho, no Teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, que tem capacidade para 500 pessoas.

A mostra é um espaço destinado a grupos e bailarinos profissionais que trabalham com produção em dança, utilizando novas linguagens, técnicas mistas e propostas cênicas experimentais, sem condicionamentos estéticos. Um dos principais objetivos da mostra é valorizar as iniciativas de investigação, bem como promover a formação de platéia, apresentando novas tendências e temáticas dentro da dança contemporânea aos estudantes de dança que participam do Festival. A apresentação em palco e horário alternativos visa possibilitar uma linguagem mais intimista, aproximando público e artistas.

Para esta edição da Mostra foram selecionadas seis companhias entre 108 que se inscreveram na seleção. São elas a Cia. de Dança Dani Lima (Rio de Janeiro/RJ), com a coreografia "Vaidade"; Cia. Repentistas do Corpo (São Paulo/SP), com "Cordel Encorpado"; Cia. de Dança Lina Penteado (Campinas/SP), com a coreografia "Roofs"; Muovere Cia. de Dança Contemporânea (Porto Alegre/RS), com "Deserto"; Evelin Moreira (Rio de Janeiro/RJ), com o espetáculo "Sonar" e Grupo Solo de Dança (Goiânia/GO), com a coreografia "Obliquação". Confira mais detalhes das companhias:

 
Cia de Dança Dani Lima

De acordo com o novo dicionário Aurélio, vaidade tanto pode significar ilusão e instabilidade quanto presunção e futilidade. É a partir desse compêndio de sentimentos e atitudes que a Cia. de Dança Dani Lima, do Rio de Janeiro, parte para envolver o público na primeira noite (23/07) da 2a Mostra de Dança Contemporânea do Festival de Dança de Joinville. Com o espetáculo "Vaidade", o grupo vai fundo na análise desse tipo de atitude, se valendo mais uma vez da dança-teatro, além de outras ferramentas cenográficas, para expor suas considerações.



No espetáculo, a diretora e coreógrafa Dani Lima especula sobre suas origens psíquicas, trabalha sobre depoimentos íntimos e a exibe como característica intrínseca à vida urbana. Além da dança-teatro, "Vaidade" também conta com o suporte do vídeo. Pelo olhar furtivo das câmeras são revelados detalhes da esfera, imagens captadas nas ruas, entrevistas, cenas ensaiadas ou captadas diretamente da platéia. A apresentação também conta com música ao vivo, originalmente composta para o espetáculo e executada em cena pela banda Brasov.

Ex-integrante e fundadora da Intrépida Trupe, Dani Lima estudou acrobacia na Escola Nacional de Circo e dança contemporânea com Nienke Reehorst (da companhia do belga Wim Vanderkeybus) e com Deborah Colker. Em 97 Dani criou sua própria companhia, que vem conquistando cada vez mais espaço no cenário da dança. Após participar de vários festivais em 2000, a companhia apresentou-se em Munique, Alemanha, em 2001, ano em que estreou os espetáculos "Digital Brazuca" e "Vaidade". A partir de 2002 o grupo tornou-se uma das 13 companhias subvencionadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro.





Cia Repentistas do Corpo

Abrindo a segunda noite (24/07) da Mostra de Dança Contemporânea, a Cia. Repentistas do Corpo vai apresentar o espetáculo "Cordel Encorpado", inspirado em uma das mais tradicionais e antigas manifestações do Nordeste: o cordel. Como é comum na dança contemporânea, a mistura de linguagens é uma das características do trabalho da companhia paulista. Resultado de uma ampla pesquisa, ele investiga o universo lúdico-poético do cordel, bem como sua tendência ao ritmo, à rima e ao improviso. Para tanto, os bailarinos se utilizam da percussão corporal que, aliada à música ao vivo, procura demonstrar a vitalidade desta secular expressão do povo brasileiro.

Inspirado inicialmente no poema "Quinguingu", do escritor paraibano Carlos Cavalcanti, "Cordel Encorpado" traz os bailarinos "dançando" os poemas, improvisando junto à música e recitando trechos de cordéis famosos. Segundo Sérgio Rocha, coreógrafo e diretor do espetáculo, o figurino é inspirado nos bonecos de cerâmica do artesanato nordestino. O cenário é igualmente simples: um varal de roupas no qual ficam pendurados elementos que serão utilizados em cena.

A Cia. Repentistas do Corpo surgiu em maio de 2001, junto com a necessidade de criação e continuidade do trabalho multidisciplinar desenvolvido por Sérgio Rocha, baiano que já atuou em companhias de destaque como Vacilou Dançou, Cia. de Dança do Rio de Janeiro e Cisne Negro Cia. de Dança. Utilizando a percussão corporal, o canto, o teatro e a dança contemporânea, o grupo objetiva mostrar a diversidade e a riqueza cultural do Brasil. O resultado pretende ser uma espécie de musical renovado, uma dança sem fronteiras com abrangência universal, que tem como ponto de partida e foco principal as raízes da cultural popular brasileira.


Cia. de Dança Lina Penteado

A segunda companhia a se apresentar no dia 24 de julho na Mostra de Dança contemporânea será a Cia. de Dança Lina Penteado que, entre janelas que se escancaram e telhados que se erguem da terra, faz da turbulência do dia-a-dia matéria prima para a coreografia "Roofs".

"Roofs" (telhados, em inglês) é um dos três números do espetáculo "Um Quê de Brasil", que busca retratar no palco o Brasil rural, o urbano e o folclórico. Assinado pela coreógrafa americana, naturalizada brasileira, Holly Cravell, "Roofs" se inspira nas grandes metrópoles, mais especificamente São Paulo, para mostrar diversas situações que compõe o cotidiano daqueles que vivem entre asfalto e arranha-céus.
Para tanto, usa elementos cênicos como quatro grandes telas, que simulam janelas de um edifício, atrás das quais os bailarinos representam cenas trivais como escovar os dentes e discutir relações. "Roofs" também lança um olhar sobre os telhados da cidade, quando os dançarinos entram em cena carregando telhas.

Com 25 anos de existência e mais de 20 espetáculos no currículo, a Cia de Dança Lina Penteado iniciou seus trabalhos como uma companhia clássica, produzindo grandes balés de repertório, que contaram com a participação de nomes consagrados da dança clássica no Brasil, como Ismael Guiser, Yellê Bittencourt, Maria Helena Mazzetti, Cleuza Fernandez e Ady Addor. Em 1987, o grupo deu seus primeiros passos no contemporâneo, sem, no entanto, abandonar as produções clássicas. Dois anos depois, uma total reestruturação deu início à "construção" de uma nova identidade para a companhia campinense: a da linguagem contemporânea, apoiada em uma sólida formação clássica.


Muovere Cia. de Dança Contemporânea

A Oswaldo Aranha, uma das mais antigas e movimentadas avenidas de Porto Alegre, endereço do Parque da Redenção, serve de inspiração para o espetáculo "Deserto", que a Muovere Cia. De Dança Contemporânea apresenta na terceira noite (25/07) da Mostra de Dança Contemporânea do 20o FDJ. Mas a coreografia, premiada com o Troféu Açoriano de Dança, em 1998, não fala apenas do universo que cerca o porto-alegrense, mas aborda uma temática mais universal: as mazelas da modernidade, causadoras da pressa e da automação dos sentimentos.

O espetáculo começa na rua, atravessa a calçada e termina dentro do parque. Essa seqüência é narrada através dos movimentos e figurinos apresentados pelos oito bailarinos em cena. As roupas pesadas, acompanhadas de gestual duro, vão sendo substituídos por vestimentas lentas e movimentos flexíveis à medida que os dançarinos vão entrando no parque.

Com uma série de premiações no currículo, incluindo três primeiros lugares e quatro segundos lugares no Festival de Dança de Joinville, a Muovere tem 13 anos de atuação. Além de diversas montagens, apresentadas em várias partes do país e também na Alemanha e na Argentina, a companhia possui um extenso currículo de projetos sociais, como o "Dança para Todos" (93), que visa ensinar, gratuitamente, dança para alunos de escolas municipais e estaduais de primeiro grau de Cruz Alta, "Dança no Cieps Cruz Alta" (95 e 96), com o objetivo de levar dança criativa voluntária para crianças com retardo mental e portadoras de síndromes, e a criação da campanha "Da Arte à Sensibilidade", destinando recursos de bilheteria ao Instituto do Excepcional de Porto Alegre, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com o espetáculo "Recintos".


Evelin Moreira

Uma diversidade cênica, em busca de sintonia com a avalanche de informações do mundo atual, é o que a Cia. de Dança Evelin Moreira leva ao palco do Teatro Juarez Machado, no terceiro dia (25/07) da Mostra de Dança Contemporânea. O título do espetáculo, "Sonar", traduz a imagem que o grupo deseja passar - o de uma antena que capta e emite mensagens - e representa bem sua natureza multimídia. "Sonar" reúne no palco corpos, instrumentos, movimentos, imagens e música. Tudo ao vivo.

No palco, a companhia une duas forças consideradas contrárias - a arte e a ciência, através da tecnologia. Por entre esses dois universos navega a liberdade de deixar o improviso como maior estímulo para o processo criativo, ampliando o vocabulário de movimentos e de sons. A bailarina Evelin Moreira atua sozinha, mas é amparada no palco por um cinegrafista e uma banda completa. O cenário virtual e mutante faz parte da proposta multimídia. As projeções, ora simultâneas, ora gravadas, interagem em velocidade e edição com as coreografias e a música.

Com formação clássica pelo método cubano Alice Alonso, Evelin Moreira graduou-se em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em dezembro de 1998. Após participações em diversos festivais nacionais e internacionais e um período na Espanha, Evelin voltou ao Brasil e montou o espetáculo "Sonar". Integrou ainda vários projetos no Brasil e no ano participou também do espetáculo "A Primeira Madrugada do Mundo" para o Ateliê de Novos Coreógrafos, promovido pelo Edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia e pela Funarte. Em 2002, a bailarina e coreógrafa estrelou em Zurique o espetáculo "Go Behind", junto com a companhia da brasileira Gisele Rocha, apontada como o novo nome da dança contemporânea suíça.


Grupo Solo de Dança

Para o último dia (26/07) da 2ª Mostra de Dança Contemporânea, o Grupo Solo de Dança vai trazer ao palco do Teatro Juarez Machado o espetáculo "Obliquação". A palavra, que significa dissimulação, entortamento ou mesmo uma inovação, ganha, para o grupo, um outro sentido. Além de ter o comportamento humano como tema, "Obliquação" sintetiza uma mudança nos rumos do grupo, ao romper com a linguagem e concepção.

No espetáculo, cuja coreografia "Yng e Yang" foi premiada na categoria contemporâneo adulto do 1º Festival de Dança do Conselho Brasileiro de Dança, em 2000, as expressões corporais exemplificam relações que se entortam conforme os interesses. Os movimentos são retilíneos, quebrados e acontecem em linhas retas pelo palco. Outro fator preponderante é a cor: no espetáculo, branco, cinza e laranja sugerem sentidos dicotômicos, como ausência/presença, clareza/escuridão, alegria/tristeza, refletindo o mundo urbano contemporâneo, onde tudo inspira instabilidade interior. Com seis bailarinos em cena, a coreografia é assinada por Luciana Caetano. Em sua estréia em Joinville, o Solo apresenta uma ruptura em seu universo estilístico.

Em 1996, Luciana Caetano fundou o Grupo Galpão, hoje Grupo Solo de Dança, do qual é coreógrafa. Executa, ainda, coreografias e trabalhos individuais em dança contemporânea para shows, espetáculos, academias e festivais, como os de Haia e Roterdã, na Holanda, onde participou do Dunya Festival, em 2001. Atualmente, o Grupo Solo de Dança é reconhecido como um das mais importantes e expressivas companhias de dança contemporânea do centro-oeste. Entre as várias distinções alcançadas por ela estão o primeiro lugar no 1O Festival de Dança do Conselho Brasileiro de Dança, em 2000, e os convites para atuação em eventos nacionais, como a 2ª Bienal da UNE, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2001.